Se o sentimento nos cega,
Pr'a que lhe damos guarida?
A razão que se nos nega;
A razão da nossa vida.
Se o sentimento nos trai
A cada passada em falso,
Não se adivinha onde vai
Mas vamos no seu encalço.
Se o sentimento nos mata
Mas dá vida enquanto há vida,
Por que há-de a razão ingrata
Recusar-se a ser vencida?
Desnorteados seguindo
Dos caprichos a vontade,
Da razão nos vão despindo
Que nem ela os dissuade.
Vivemos porque sentimos;
Pensamos porque vivemos;
Quando pensamos, mentimos;
Se não mentimos, morremos.
27/03/2017
16:02
terça-feira, novembro 12, 2019
quinta-feira, setembro 12, 2019
Ansiedade
Porque me deixo embalar
Por esta coisa esquisita,
Esta coisa que me habita
Tomando à paz o lugar?
Porque me deixo ficar
Nesta coisa indefinida,
Nesta atenção distraída
Ao que não quero pensar?
Porque me deixo entreter
Por esta coisa anormal?
Será que quero afinal
O que não sei nem dizer?
Porque me deixo vencer
Nesta ansiedade de morte,
Esta coisa à toa, à sorte
Que não consigo entender?
Porque a não deixo fugir
Desta morada inconstante
Onde agita a cada instante
Receios do que há-de vir?
Porque só sei eu fingir
Que nada trago no peito
Quando trago o ser desfeito
Desta coisa a consumir?
Porque me deixo embalar
Vencer, ficar e fingir,
Sem nunca me permitir
A simplesmente parar?
03/03/2019
03:18
Por esta coisa esquisita,
Esta coisa que me habita
Tomando à paz o lugar?
Porque me deixo ficar
Nesta coisa indefinida,
Nesta atenção distraída
Ao que não quero pensar?
Porque me deixo entreter
Por esta coisa anormal?
Será que quero afinal
O que não sei nem dizer?
Porque me deixo vencer
Nesta ansiedade de morte,
Esta coisa à toa, à sorte
Que não consigo entender?
Porque a não deixo fugir
Desta morada inconstante
Onde agita a cada instante
Receios do que há-de vir?
Porque só sei eu fingir
Que nada trago no peito
Quando trago o ser desfeito
Desta coisa a consumir?
Porque me deixo embalar
Vencer, ficar e fingir,
Sem nunca me permitir
A simplesmente parar?
03/03/2019
03:18
quinta-feira, março 07, 2019
O Princípio da Incerteza
Que bizarra a natureza
Quando vista ao pormenor
Nesse delírio suspenso
Entre ser-se e não se ser
O princípio de incerteza
Sempre nos leva a melhor
No seu real contra-senso
De se saber sem saber
Parece contradição
Esta essência indefinida
Que nos deixa a duvidar
Da nossa própria contenda
E às vezes esta impressão
De qualquer coisa escondida
Na espuma que o nosso olhar
De silício não desvenda
Já dizia o Heisenberg
Que o olhar tudo transmuta
E o real não é igual
Ao que pensámos que vimos
Esta razão que nos ergue
Das sombras da nossa gruta
Também nos mostra afinal
Que nunca de lá saímos
06/03/2019
17:52
Quando vista ao pormenor
Nesse delírio suspenso
Entre ser-se e não se ser
O princípio de incerteza
Sempre nos leva a melhor
No seu real contra-senso
De se saber sem saber
Parece contradição
Esta essência indefinida
Que nos deixa a duvidar
Da nossa própria contenda
E às vezes esta impressão
De qualquer coisa escondida
Na espuma que o nosso olhar
De silício não desvenda
Já dizia o Heisenberg
Que o olhar tudo transmuta
E o real não é igual
Ao que pensámos que vimos
Esta razão que nos ergue
Das sombras da nossa gruta
Também nos mostra afinal
Que nunca de lá saímos
06/03/2019
17:52
domingo, março 03, 2019
A outra vida
Mote
Quem sabe se noutra vida
A vida fora dif'rente?
Se apenas nesta se lida
Que dif'rença faz à gente?
Glosas
Não há dúvida maior
Na vida que nós vivemos:
Que é de nós quando morremos?
Vamos desta p'ra melhor?
Nunca nada ao meu redor
Me deu resposta devida.
Haverá ou não guarida
Do outro lado da morte?
Fico na mesma, sem sorte...
Quem sabe se noutra vida...?
Ninguém sabe o que isto é,
O mistério que interrogo.
Somos nascidos e logo
Já nós andamos de pé;
Rapidamente um bebé
Faz-se belo adolescente;
Para adulto, é um repente
E a velhice já lhe espreita.
Talvez na terra perfeita
A vida fora diferente.
Muito se diz por aí
Sobre este caso bicudo,
Eu cá duvido de tudo
Pois foi assim que aprendi.
Mais vidas não conheci,
Nem sei que seja sabida
Alguma vida escondida
Depois que a gente é defunta.
De que me serve a pergunta
Se apenas nesta se lida?
Muito nos interrogamos
Sobre o que está mais além
Será porque não convém
Olhar p'ra vida em que andamos?
Afinal onde é que estamos?
Que fazemos do presente?
Deve ser-se consciente
Da estrada que se percorre,
Que enquanto a gente não morre
Que dif'rença faz à gente?
23/02/2018
00:47
Quem sabe se noutra vida
A vida fora dif'rente?
Se apenas nesta se lida
Que dif'rença faz à gente?
Glosas
Não há dúvida maior
Na vida que nós vivemos:
Que é de nós quando morremos?
Vamos desta p'ra melhor?
Nunca nada ao meu redor
Me deu resposta devida.
Haverá ou não guarida
Do outro lado da morte?
Fico na mesma, sem sorte...
Quem sabe se noutra vida...?
Ninguém sabe o que isto é,
O mistério que interrogo.
Somos nascidos e logo
Já nós andamos de pé;
Rapidamente um bebé
Faz-se belo adolescente;
Para adulto, é um repente
E a velhice já lhe espreita.
Talvez na terra perfeita
A vida fora diferente.
Muito se diz por aí
Sobre este caso bicudo,
Eu cá duvido de tudo
Pois foi assim que aprendi.
Mais vidas não conheci,
Nem sei que seja sabida
Alguma vida escondida
Depois que a gente é defunta.
De que me serve a pergunta
Se apenas nesta se lida?
Muito nos interrogamos
Sobre o que está mais além
Será porque não convém
Olhar p'ra vida em que andamos?
Afinal onde é que estamos?
Que fazemos do presente?
Deve ser-se consciente
Da estrada que se percorre,
Que enquanto a gente não morre
Que dif'rença faz à gente?
23/02/2018
00:47
sábado, março 02, 2019
Jardim de Saudade
Estes versos que hoje canto
São saudades em botão.
No jardim do desencanto,
Todos os versos que planto
São rebentos da paixão.
São penas que remanescem,
Dissabores que ato em molhos;
Mágoas que brotam e crescem,
Fazem-se versos, florescem,
Regados pelos meus olhos.
São lembranças que, a cantar,
Transplanto pela raiz,
De outro tempo, outro lugar,
De outro jardim tão vulgar
Onde o fado não me quis.
Por isso canto e me vejo
Neste jardim de saudade,
Onde as flores que versejo
São botões do meu desejo
De ser jardim sem idade.
25/02/2019
18:03
São saudades em botão.
No jardim do desencanto,
Todos os versos que planto
São rebentos da paixão.
São penas que remanescem,
Dissabores que ato em molhos;
Mágoas que brotam e crescem,
Fazem-se versos, florescem,
Regados pelos meus olhos.
São lembranças que, a cantar,
Transplanto pela raiz,
De outro tempo, outro lugar,
De outro jardim tão vulgar
Onde o fado não me quis.
Por isso canto e me vejo
Neste jardim de saudade,
Onde as flores que versejo
São botões do meu desejo
De ser jardim sem idade.
25/02/2019
18:03
quarta-feira, fevereiro 27, 2019
Tudo na vida é mentira
Mote
Tudo o que a vida nos dá
Tudo o que a vida nos tira
Tudo o que vida será
Tudo na vida é mentira
Glosas
A vida é só como um vento
Um breve sopro e já está
Toda a vida é um momento
Tudo o que a vida nos dá
A vida que nos derrota
A mesma que nos inspira
Tudo na vida se esgota
Tudo o que a vida nos tira
Que vida esta sem norte
Uma vida ao deus-dará
Tudo na vida é à sorte
Tudo o que a vida será
A vida é sempre querer
Uma vida a que se aspira
Toda a vida p'ra morrer
Tudo na vida é mentira
23/02/2018
00:12
Tudo o que a vida nos dá
Tudo o que a vida nos tira
Tudo o que vida será
Tudo na vida é mentira
Glosas
A vida é só como um vento
Um breve sopro e já está
Toda a vida é um momento
Tudo o que a vida nos dá
A vida que nos derrota
A mesma que nos inspira
Tudo na vida se esgota
Tudo o que a vida nos tira
Que vida esta sem norte
Uma vida ao deus-dará
Tudo na vida é à sorte
Tudo o que a vida será
A vida é sempre querer
Uma vida a que se aspira
Toda a vida p'ra morrer
Tudo na vida é mentira
23/02/2018
00:12
terça-feira, fevereiro 26, 2019
Alguéns
Alguém que quis mostrar-me paraísos
Alguém que quis mostrar-me infernais cenas
Alguém que, estando triste, me deu risos
Alguém que, sendo alegre, me deu penas
Alguém que a mão estendeu quando caí
Alguém que o pé esticou p'ra me tombar
Alguém que me abraçou quando sofri
Alguém que se escusou de me abraçar
Alguém que trouxe ao mundo algo de novo
Alguém que destruiu algo no mundo
Alguém que deu de si mesmo ao seu povo
Alguém que fez do povo um moribundo
Alguém, há sempre alguém que espalha amor
Porém, há sempre quem o não entenda
Também há quem lhe aumente o seu valor
E há quem, por mais que tente, nunca aprenda
28/07/2016
15:55
Alguém que quis mostrar-me infernais cenas
Alguém que, estando triste, me deu risos
Alguém que, sendo alegre, me deu penas
Alguém que a mão estendeu quando caí
Alguém que o pé esticou p'ra me tombar
Alguém que me abraçou quando sofri
Alguém que se escusou de me abraçar
Alguém que trouxe ao mundo algo de novo
Alguém que destruiu algo no mundo
Alguém que deu de si mesmo ao seu povo
Alguém que fez do povo um moribundo
Alguém, há sempre alguém que espalha amor
Porém, há sempre quem o não entenda
Também há quem lhe aumente o seu valor
E há quem, por mais que tente, nunca aprenda
28/07/2016
15:55
domingo, fevereiro 24, 2019
Quem quer saber ao que vem
Mote
Quem quer saber não encontra;
Quem não quer é que está bem:
Parece o mundo que é contra
Quem quer saber ao que vem.
Glosas
Quem passa a vida a olhar
O mundo como uma montra,
Vive e morre a procurar:
Quem quer saber não encontra.
Do segredo o conteúdo
É quem procura refém.
P'ra quê querer saber tudo?
Quem não quer é que está bem.
Quando algo se acha entendido
Mostra-se o mundo bilontra;
Ao mais pequeno sentido
Parece o mundo que é contra.
Como não sabe nem quer
Quem não se importa, também
Não chega nunca a saber
Quem quer saber ao que vem.
24/02/2019
14:11
Quem quer saber não encontra;
Quem não quer é que está bem:
Parece o mundo que é contra
Quem quer saber ao que vem.
Glosas
Quem passa a vida a olhar
O mundo como uma montra,
Vive e morre a procurar:
Quem quer saber não encontra.
Do segredo o conteúdo
É quem procura refém.
P'ra quê querer saber tudo?
Quem não quer é que está bem.
Quando algo se acha entendido
Mostra-se o mundo bilontra;
Ao mais pequeno sentido
Parece o mundo que é contra.
Como não sabe nem quer
Quem não se importa, também
Não chega nunca a saber
Quem quer saber ao que vem.
24/02/2019
14:11
sexta-feira, fevereiro 22, 2019
Aqui
Aqui onde me vejo
No espelho do temor
Aqui onde o desejo
Tropeça na memória
Aqui onde o feitiço
Desata a minha dor
Aqui onde me enguiço
Num limbo de oratória
Aqui onde me sinto
Mais alto e mais pequeno
Aqui onde me minto
À falta de um sentido
Aqui onde ao perdão
Me entrego e me condeno
Aqui onde este chão
É leito arrefecido
Aqui onde o adeus
Não tem cura nem lei
Aqui onde são meus
Os versos que não fiz
Aqui mato a vontade
Dos sonhos que eu errei
E morro de saudade
De quando era feliz
22/02/2019
17:53
No espelho do temor
Aqui onde o desejo
Tropeça na memória
Aqui onde o feitiço
Desata a minha dor
Aqui onde me enguiço
Num limbo de oratória
Aqui onde me sinto
Mais alto e mais pequeno
Aqui onde me minto
À falta de um sentido
Aqui onde ao perdão
Me entrego e me condeno
Aqui onde este chão
É leito arrefecido
Aqui onde o adeus
Não tem cura nem lei
Aqui onde são meus
Os versos que não fiz
Aqui mato a vontade
Dos sonhos que eu errei
E morro de saudade
De quando era feliz
22/02/2019
17:53
segunda-feira, fevereiro 18, 2019
Agora és a saudade
Foste chama crepitante
Contra o frio acutilante
Da noite dos teus sentidos
Mas quanto maior a chama
Maiores sombras derrama
Pelos caminhos perdidos
Foste o tronco da vontade
Enfrentando a tempestade
Que ora seduz ora dói
A ventania das folhas
Confunde tantas escolhas
E trai os passos do herói
Foste uma onda de vida
De horizontes desmedida
No furor das maresias
Não há onda que não caia
Nas areias dessa praia
Na margem dos nossos dias
Foste o que o mundo perdeu
Tanto mar e tanto céu
Cabiam no teu olhar
Agora és a saudade
Sem limite, sem idade
Que não tem como acabar
18/02/2019
01:39
Contra o frio acutilante
Da noite dos teus sentidos
Mas quanto maior a chama
Maiores sombras derrama
Pelos caminhos perdidos
Foste o tronco da vontade
Enfrentando a tempestade
Que ora seduz ora dói
A ventania das folhas
Confunde tantas escolhas
E trai os passos do herói
Foste uma onda de vida
De horizontes desmedida
No furor das maresias
Não há onda que não caia
Nas areias dessa praia
Na margem dos nossos dias
Foste o que o mundo perdeu
Tanto mar e tanto céu
Cabiam no teu olhar
Agora és a saudade
Sem limite, sem idade
Que não tem como acabar
18/02/2019
01:39
sábado, novembro 10, 2018
Boleia
Fica na berma encostada
À espera de uma boleia
A vida quando receia
Dobrar as curvas da estrada
O mapa que traz consigo
É uma bússola sem norte
E não garante um transporte
Que evite cada perigo
Não usa a quinta mudança
Por medo de ter um furo
Porque não tem um seguro
Nem cinto de segurança
Desde que um dia sentiu
Que derrapou na viagem
Pôs o carro na garagem
E nunca mais conduziu
Fica na berma encostada
À mercê de quem a leve
E diz que já não se atreve
Fazer-se de novo à estrada
23/11/2016
15:54
À espera de uma boleia
A vida quando receia
Dobrar as curvas da estrada
O mapa que traz consigo
É uma bússola sem norte
E não garante um transporte
Que evite cada perigo
Não usa a quinta mudança
Por medo de ter um furo
Porque não tem um seguro
Nem cinto de segurança
Desde que um dia sentiu
Que derrapou na viagem
Pôs o carro na garagem
E nunca mais conduziu
Fica na berma encostada
À mercê de quem a leve
E diz que já não se atreve
Fazer-se de novo à estrada
23/11/2016
15:54
quarta-feira, outubro 31, 2018
Deusa
És pão no meu jejum, és primavera
Que vence este meu gélido torpor;
És bálsamo que acalma a minha dor,
Que me encontra febril e regenera;
És o porto de abrigo que se espera
Ao fim de um temporal devastador;
És a reza atendida e o favor
Da deusa já esquecida de outra era;
És quem me dá a mão se estou no fundo;
És transfusão de sangue e eu moribundo;
És cálida carícia no meu pranto;
És a graça maior que me enche tanto;
És mais do que eu mereço e, no entanto,
É por ti que me adio neste mundo.
13/07/2017
Que vence este meu gélido torpor;
És bálsamo que acalma a minha dor,
Que me encontra febril e regenera;
És o porto de abrigo que se espera
Ao fim de um temporal devastador;
És a reza atendida e o favor
Da deusa já esquecida de outra era;
És quem me dá a mão se estou no fundo;
És transfusão de sangue e eu moribundo;
És cálida carícia no meu pranto;
És a graça maior que me enche tanto;
És mais do que eu mereço e, no entanto,
É por ti que me adio neste mundo.
13/07/2017
quarta-feira, abril 25, 2018
Pergunto
Pergunto ao mar alto porquê
Pergunto às estrelas p'ra quê
Mistérios que exalto à mercê
Do que entre janelas se vê
Pergunto às montanhas o quê
E ao vento se crê ou não crê
Perguntas tamanhas, sem quê
Nem porquê
Pergunto ao mar todo onde vou
Pergunto à poeira quem sou
Que chuva, que lodo agitou
Que rubra lareira me inflou
Pergunto ao luar se me amou
E ao sol se por mim deflagrou
Só sei duvidar queira ou
Não queira
Pergunto ao mar longe se não
Imploro ao mar perto que não
Que o mar é um monge, um soldado
Que o mar não é certo ou errado
Estrelas, poeiras serão
Caindo entre os dedos no chão
E não são inteiras senão
Por um instante
18/04/2018
19:35
Pergunto às estrelas p'ra quê
Mistérios que exalto à mercê
Do que entre janelas se vê
Pergunto às montanhas o quê
E ao vento se crê ou não crê
Perguntas tamanhas, sem quê
Nem porquê
Pergunto ao mar todo onde vou
Pergunto à poeira quem sou
Que chuva, que lodo agitou
Que rubra lareira me inflou
Pergunto ao luar se me amou
E ao sol se por mim deflagrou
Só sei duvidar queira ou
Não queira
Pergunto ao mar longe se não
Imploro ao mar perto que não
Que o mar é um monge, um soldado
Que o mar não é certo ou errado
Estrelas, poeiras serão
Caindo entre os dedos no chão
E não são inteiras senão
Por um instante
18/04/2018
19:35
terça-feira, março 27, 2018
Corrente
Não há poemas sem vida
E não há vida sem morte
Não há morte sem partida
Não há partida sem norte
Não há norte sem lugar
Nem há lugar sem momento
Não há momento sem par
E não há par sem tormento
Não há tormento sem dor
Não há dor sem uma cura
Nem há cura sem amor
E nem amor sem loucura
Não há loucura sem fundo
E não há fundo sem cume
Mas não há cume sem mundo
Nem há mundo sem ciúme
Não há ciúme sem beijo
Não há beijo sem carinho
Nem carinho sem desejo
Nem desejo sem caminho
Nem caminho sem barreira
Nem barreira sem dilemas
Nem dilemas sem cegueira
Nem cegueira sem poemas
23/02/2018
18:29
E não há vida sem morte
Não há morte sem partida
Não há partida sem norte
Não há norte sem lugar
Nem há lugar sem momento
Não há momento sem par
E não há par sem tormento
Não há tormento sem dor
Não há dor sem uma cura
Nem há cura sem amor
E nem amor sem loucura
Não há loucura sem fundo
E não há fundo sem cume
Mas não há cume sem mundo
Nem há mundo sem ciúme
Não há ciúme sem beijo
Não há beijo sem carinho
Nem carinho sem desejo
Nem desejo sem caminho
Nem caminho sem barreira
Nem barreira sem dilemas
Nem dilemas sem cegueira
Nem cegueira sem poemas
23/02/2018
18:29
terça-feira, julho 18, 2017
Tanto e tão pouco...
De tanto que a noite é escura
Do pouco que é claro o dia
Parece a noite que dura
Tanto mais do que devia
De tanto que os olhos choram
Do pouco que a boca ri
Parece até que demoram
Mais as lágrimas em ti
De tanto que erram as mãos
Do pouco que o ser acerta
Tanto que os sonhos são vãos
Tanto que a alma é deserta
É tanto que o peito sente
Se não é medo, é saudade
Tão poucas vezes contente
Ao sabor da tempestade
15/07/2017
12:07
Do pouco que é claro o dia
Parece a noite que dura
Tanto mais do que devia
De tanto que os olhos choram
Do pouco que a boca ri
Parece até que demoram
Mais as lágrimas em ti
De tanto que erram as mãos
Do pouco que o ser acerta
Tanto que os sonhos são vãos
Tanto que a alma é deserta
É tanto que o peito sente
Se não é medo, é saudade
Tão poucas vezes contente
Ao sabor da tempestade
15/07/2017
12:07
quinta-feira, julho 13, 2017
Renúncia
Houvesse ainda vontade,
Fosse a vida menos tarde,
Vencesse eu esta mudez...
Se me deixasse a saudade,
Se não fosse tão cobarde,
Mais feliz fora, talvez...
E não andara à deriva
E fora a vida mais viva
E tudo o mais que eu errei
Em tão toscas tentativas...
Houvesse ainda saliva
P'ra dizer o que não sei.
Voltar atrás não se pode
E não há quem nos acorde
Deste torpor que é viver;
Que o vento não me incomode
E a chuva não me recorde
Do que é ser, do que é sofrer.
24/05/2017
23:41
Fosse a vida menos tarde,
Vencesse eu esta mudez...
Se me deixasse a saudade,
Se não fosse tão cobarde,
Mais feliz fora, talvez...
E não andara à deriva
E fora a vida mais viva
E tudo o mais que eu errei
Em tão toscas tentativas...
Houvesse ainda saliva
P'ra dizer o que não sei.
Voltar atrás não se pode
E não há quem nos acorde
Deste torpor que é viver;
Que o vento não me incomode
E a chuva não me recorde
Do que é ser, do que é sofrer.
24/05/2017
23:41
quarta-feira, maio 24, 2017
Exortação.
Compete-nos o histórico momento
Que às outras gerações se tem fintado
De recusar os erros do passado
Com firmeza maior que a do lamento;
É tempo de fazer o julgamento
Sem vergonha de apontar os culpados,
De dissecar memórias e legados,
De rescrever o nosso testamento.
Uma ideia só basta ter presente,
Que como agora o balanço se apura
Do que ontem foi danoso e foi prudente,
O que hoje se projecta, porventura
Será dos nossos filhos réu latente
Para sentenciar em boa altura.
21/01/2017
19:14
Que às outras gerações se tem fintado
De recusar os erros do passado
Com firmeza maior que a do lamento;
É tempo de fazer o julgamento
Sem vergonha de apontar os culpados,
De dissecar memórias e legados,
De rescrever o nosso testamento.
Uma ideia só basta ter presente,
Que como agora o balanço se apura
Do que ontem foi danoso e foi prudente,
O que hoje se projecta, porventura
Será dos nossos filhos réu latente
Para sentenciar em boa altura.
21/01/2017
19:14
domingo, novembro 27, 2016
Poetas banais
Poetas não são o mar
Nem ondas nem temporais,
Poetas são espuma que fica por cima de tudo o que agita...
Nas suas palavras vãs
Os ventos que sopram mais
São ventos de fora mas sopram por dentro da mágica escrita.
Feitiços de luz e de cores, das dores que à mão
Dão corda e dão traços e pintam, desenham na folha sinais
Dos tais artifícios, condão dos indícios, inícios finais.
Poetas não vão ao mar
Como se um rio por nascer
Quisesse brotar sem ferir, sem escorrer p'ra não transbordar
E as suas palavras são
O vento que os faz mover
Nas horas despertas da sede dos tempos que estão p'ra chegar.
Apaga o relógio e os dias na página dois...
Depois da promessa, tropeça no limbo das cordas vocais,
Que os livros abertos são corpos desertos, incertos rivais.
Poetas ao mar no chão,
Palavras são sempre iguais...
Parecem ao longe que são singulares mas são tão banais.
15/11/2016
16:48
Nem ondas nem temporais,
Poetas são espuma que fica por cima de tudo o que agita...
Nas suas palavras vãs
Os ventos que sopram mais
São ventos de fora mas sopram por dentro da mágica escrita.
Feitiços de luz e de cores, das dores que à mão
Dão corda e dão traços e pintam, desenham na folha sinais
Dos tais artifícios, condão dos indícios, inícios finais.
Poetas não vão ao mar
Como se um rio por nascer
Quisesse brotar sem ferir, sem escorrer p'ra não transbordar
E as suas palavras são
O vento que os faz mover
Nas horas despertas da sede dos tempos que estão p'ra chegar.
Apaga o relógio e os dias na página dois...
Depois da promessa, tropeça no limbo das cordas vocais,
Que os livros abertos são corpos desertos, incertos rivais.
Poetas ao mar no chão,
Palavras são sempre iguais...
Parecem ao longe que são singulares mas são tão banais.
15/11/2016
16:48
sexta-feira, novembro 25, 2016
Exílio
Não sei se estar sozinho me ilumina
E me faz ver as coisas como são,
Se o silêncio revela ao coração
Segredos que o tumulto não me ensina;
Ou se é de estar a sós que se alucina,
Se é disfarçadamente a solidão
Memória sem raiz, sem direcção,
Semente de uma fuga que germina...
Não sei se neste exílio me aprofundo
Ou me imerjo num mundo imaginário
E sou dos meus receios vagabundo...
Não sei se vejo as coisas ao contrário,
Se é de rara clareza que me inundo
Assim num estado de alma solitário.
25/11/2016
10:41
E me faz ver as coisas como são,
Se o silêncio revela ao coração
Segredos que o tumulto não me ensina;
Ou se é de estar a sós que se alucina,
Se é disfarçadamente a solidão
Memória sem raiz, sem direcção,
Semente de uma fuga que germina...
Não sei se neste exílio me aprofundo
Ou me imerjo num mundo imaginário
E sou dos meus receios vagabundo...
Não sei se vejo as coisas ao contrário,
Se é de rara clareza que me inundo
Assim num estado de alma solitário.
25/11/2016
10:41
terça-feira, novembro 22, 2016
Hora da Ceia
Que silêncio me acompanha
Na noite dos meus sentidos...
Não há lobos na montanha,
Já não oiço os seus latidos,
Não há fogueiras acesas
Nem cheiro de erva cidreira,
Só estas mãos indefesas
Perdidas numa algibeira.
Que escuridão me ilumina,
Que fome me dá sustento...
E a solidão imagina,
Desta noite o testamento:
Sou herdeiro de um futuro
Que a lua nova ensombreia,
Um pôr do ser prematuro
Antes da hora da ceia.
22/11/2016
20:46
Na noite dos meus sentidos...
Não há lobos na montanha,
Já não oiço os seus latidos,
Não há fogueiras acesas
Nem cheiro de erva cidreira,
Só estas mãos indefesas
Perdidas numa algibeira.
Que escuridão me ilumina,
Que fome me dá sustento...
E a solidão imagina,
Desta noite o testamento:
Sou herdeiro de um futuro
Que a lua nova ensombreia,
Um pôr do ser prematuro
Antes da hora da ceia.
22/11/2016
20:46
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