Drips and drops,
Clefs and staves and crotchets of emptiness,
An inconspicuous nothing from where the miracle emerges.
Listening carefully to the admirable lyricism of the phenomenon,
Whose richness and virtue are intangible as the language itself,
My thoughts dwell through alien idioms and conspiracy theories,
Through those other miracle we call mysterious,
Only to find the intricate roar of the namelessness,
And to drown inevitably in an anonym matter of singular consistency.
The slumbers of my brain are not allowed to descry the indivisible unit of thought,
That quantum of information that plays hide and seek with my discernment.
Tragedy is, alas, the form and content of the human intellect,
Bounded to an eternal pursuit which can never reach a single checkpoint,
Disgraceful is the human nature that seeks its very questions to unknowable answers.
Drips and drops are the subtle and almost indistinguishable flashes of consciousness we so rarely experience,
Running off a dead end tube made out from mathematics and sexual arousal.
It’s just like an ethereal arpeggio,
One we can imagine, conceive and plan
(Even smell or taste)
But never bring to existence,
Chained forever to a latent reality,
Perhaps beyond a black hole or a mirrored surface.
I hear echoes below the depths of the mind,
But they must be just a bunch of kids fooling around my frustration…
03/12/2007
4:20
sexta-feira, dezembro 07, 2007
domingo, dezembro 02, 2007
Sempre...
Todos os dias sou profano
Todas as noites sãos meus dias
Todas as horas, desengano
Todas as horas, heresias
Todos os dias sou secreto
Todos os meses, vagabundo
Todas as horas, chão e tecto
Todas as horas num segundo
Todos os dias, foragido
Todos os anos, inconstante
Todas as horas sem sentido
Todas as horas, um instante
Todos os dias sou um fim
Todos os séculos, poeira
Todas as horas são de mim
Todas as horas sem fronteira
Todos os dias sou miragem
Todas as eras sem medida
Todas as horas, a coragem
Todas as horas, uma vida
19/10/2007
3:52
Todas as noites sãos meus dias
Todas as horas, desengano
Todas as horas, heresias
Todos os dias sou secreto
Todos os meses, vagabundo
Todas as horas, chão e tecto
Todas as horas num segundo
Todos os dias, foragido
Todos os anos, inconstante
Todas as horas sem sentido
Todas as horas, um instante
Todos os dias sou um fim
Todos os séculos, poeira
Todas as horas são de mim
Todas as horas sem fronteira
Todos os dias sou miragem
Todas as eras sem medida
Todas as horas, a coragem
Todas as horas, uma vida
19/10/2007
3:52
sábado, dezembro 01, 2007
Tenho a mente em obras...
Tenho a mente em obras…
Ontem,
(ou hoje, que o ontem só existe enquanto é hoje)
Um edifício centenário
(apesar de nem ter uma vintena de existência)
Na movimentada praça
(pelo menos nos dias úteis)
Do meu cérebro
(quantas sinapses ainda me restarão?)
Ameaçou ruir
(apesar de ilusório, o tempo sempre vai deixando a sua marca)
Irremediavelmente,
(ainda que, em boa sabedoria popular, só a morte não tenha remédio)
Pelo que a equipa de especialistas
(talvez um ou dois recém-licenciados de dúbia competência)
Prontamente avaliou o risco de derrocada
(o quê?)
E deitou mãos à obra,
(outro parêntese, outra pedra que resvala do seu pousio)
Numa tentativa desesperada de remediar
(não a morte, por certo)
Aquilo que era já sabido de antemão:
(o oráculo de Bellini faz milagres)
Tudo acaba por se desvanecer às mãos inexoráveis de Saturno,
(ou Cronos, se em grego arcaico preferirmos exprimir-nos)
E nem a sagrada mão do divino
(a mesma mão que, afinal, cria e destrói)
Poderia salvar aquelas quatro paredes,
(ainda hei-de ter uma casa oval)
Entregues à sua demanda última pelos trilhos da realidade.
(haja quem ainda guarde esperança no divino)
Tudo isto para contextualizar,
Que não seja inusitado este discurso,
O alvoroço que agora povoa os meus pensamentos.
O certo,
Por mais incerto,
É que tenho a mente em obras…
18/10/2007
5:29
Ontem,
(ou hoje, que o ontem só existe enquanto é hoje)
Um edifício centenário
(apesar de nem ter uma vintena de existência)
Na movimentada praça
(pelo menos nos dias úteis)
Do meu cérebro
(quantas sinapses ainda me restarão?)
Ameaçou ruir
(apesar de ilusório, o tempo sempre vai deixando a sua marca)
Irremediavelmente,
(ainda que, em boa sabedoria popular, só a morte não tenha remédio)
Pelo que a equipa de especialistas
(talvez um ou dois recém-licenciados de dúbia competência)
Prontamente avaliou o risco de derrocada
(o quê?)
E deitou mãos à obra,
(outro parêntese, outra pedra que resvala do seu pousio)
Numa tentativa desesperada de remediar
(não a morte, por certo)
Aquilo que era já sabido de antemão:
(o oráculo de Bellini faz milagres)
Tudo acaba por se desvanecer às mãos inexoráveis de Saturno,
(ou Cronos, se em grego arcaico preferirmos exprimir-nos)
E nem a sagrada mão do divino
(a mesma mão que, afinal, cria e destrói)
Poderia salvar aquelas quatro paredes,
(ainda hei-de ter uma casa oval)
Entregues à sua demanda última pelos trilhos da realidade.
(haja quem ainda guarde esperança no divino)
Tudo isto para contextualizar,
Que não seja inusitado este discurso,
O alvoroço que agora povoa os meus pensamentos.
O certo,
Por mais incerto,
É que tenho a mente em obras…
18/10/2007
5:29
quinta-feira, novembro 22, 2007
O corredor da morte.
Frestas de luz desvendam um caminho sinuoso.
Vêm do postigo que alguém compassivo cuidou de entreabrir,
Algum foragido morador ou apenas a ventania zelosa.
Em passos cautelosos, embrenho-me na escuridão do corredor,
Frio, inóspito, vazio…
A mão, que se aquecia no bolso, apalpa agora as rugosas paredes,
Guiando na sombra os olhos que a não podem ver.
A humidade resvala pelas arestas,
E embora a treva não permita que se enxergue,
O tecto é um tapete esverdeado de musgo já sem idade.
Um fugaz relâmpago oferece o mais imperceptível lampejo da passagem:
Duas paredes rigorosamente paralelas cujo término fica para além do alcance da vista;
Um tecto abaulado que, agora sim, se verifica coberto de verde carapinha;
E uma quase irreal extensão de chão tosco que se encaminha em direcção a nada.
Cada passo é uma gota de suor que me escorre pela testa,
E a cada passo, inexprimível consternação, tenho que recordar-me do meu propósito.
‘Já falta pouco’, minto a mim próprio,
Os lábios tremendo de sede e de ansiedade.
‘Vai valer a pena’, insisto em convencer-me,
As pernas cansadas da caminhada.
‘Nada se faz sem esforço’, torno a dizer,
Mas a mente é agora um local inabitável.
Tombam os joelhos sobre o implacável pavimento,
As mãos agarram os cabelos,
E os cotovelos erguidos soltam clamores que a voz já não consegue.
Do último relâmpago, já só se ouviu o estrondo do trovão,
Diluída a sua parca luminosidade pela bruma inescrutável,
Afinal única residente naquele lugar maldito.
O cenário é agora um turbilhão de sufocante opacidade;
Afinal, é apenas a visão que se turva e dá forma àquilo que não pode auscultar,
Dois olhos vidrados na inalcançável recompensa,
Lágrimas que se perfilam nas faces geladas,
E esta endemoninhada vontade de que tudo termine ainda antes de ter começado.
‘É hora’, julgo ouvir num murmúrio,
Pouco mais do que uma aragem, estreita, vacilante.
Involuntariamente, estou novamente erguido,
Mas já não caminho:
Corro, galopo, voo para o indelével derradeiro,
Para essa, afinal, tão ansiada vitória,
Essa meta que é unicamente minha, só de mim, exclusiva…
Ao fundo do corredor da morte,
Estende-se uma estrada de vida,
Ainda que intangível,
Viva.
20/11/2007
18:56
Vêm do postigo que alguém compassivo cuidou de entreabrir,
Algum foragido morador ou apenas a ventania zelosa.
Em passos cautelosos, embrenho-me na escuridão do corredor,
Frio, inóspito, vazio…
A mão, que se aquecia no bolso, apalpa agora as rugosas paredes,
Guiando na sombra os olhos que a não podem ver.
A humidade resvala pelas arestas,
E embora a treva não permita que se enxergue,
O tecto é um tapete esverdeado de musgo já sem idade.
Um fugaz relâmpago oferece o mais imperceptível lampejo da passagem:
Duas paredes rigorosamente paralelas cujo término fica para além do alcance da vista;
Um tecto abaulado que, agora sim, se verifica coberto de verde carapinha;
E uma quase irreal extensão de chão tosco que se encaminha em direcção a nada.
Cada passo é uma gota de suor que me escorre pela testa,
E a cada passo, inexprimível consternação, tenho que recordar-me do meu propósito.
‘Já falta pouco’, minto a mim próprio,
Os lábios tremendo de sede e de ansiedade.
‘Vai valer a pena’, insisto em convencer-me,
As pernas cansadas da caminhada.
‘Nada se faz sem esforço’, torno a dizer,
Mas a mente é agora um local inabitável.
Tombam os joelhos sobre o implacável pavimento,
As mãos agarram os cabelos,
E os cotovelos erguidos soltam clamores que a voz já não consegue.
Do último relâmpago, já só se ouviu o estrondo do trovão,
Diluída a sua parca luminosidade pela bruma inescrutável,
Afinal única residente naquele lugar maldito.
O cenário é agora um turbilhão de sufocante opacidade;
Afinal, é apenas a visão que se turva e dá forma àquilo que não pode auscultar,
Dois olhos vidrados na inalcançável recompensa,
Lágrimas que se perfilam nas faces geladas,
E esta endemoninhada vontade de que tudo termine ainda antes de ter começado.
‘É hora’, julgo ouvir num murmúrio,
Pouco mais do que uma aragem, estreita, vacilante.
Involuntariamente, estou novamente erguido,
Mas já não caminho:
Corro, galopo, voo para o indelével derradeiro,
Para essa, afinal, tão ansiada vitória,
Essa meta que é unicamente minha, só de mim, exclusiva…
Ao fundo do corredor da morte,
Estende-se uma estrada de vida,
Ainda que intangível,
Viva.
20/11/2007
18:56
terça-feira, novembro 20, 2007
Poetas escritos, poemas encarnados...
Os poemas são poetas escritos.
Toda a lírica não mais é do que a découpage de uma alma numa página antes opaca,
Plena logo de tonalidades translúcidas,
Complacentes miragens residuais do frívolo artífice que lhes deu aparência,
Moldando-as a tinta como um escultor talha a pedra com o cinzel,
Ou simplesmente como um qualquer deus distraído,
Que tropeça na sua própria ausência deixando cair dos braços um big-bang de múltiplos quase-nadas,
Vibrações e impressão de familiaridade que nos habitam à socapa,
Na mordaz tentativa de nos converter em algo mais do que meramente humano,
Empresa demasiado auspiciosa para ser conduzida sem despiste.
Os poetas são poemas encarnados.
Todo o louco não mais é do que a soma de toda a lucidez,
Demasiado avultada para se contentar com um lugar na plateia,
Já que, afinal, verdadeiro lugar de espectador apenas ao intemporal tempo cabe,
Esse desonroso almocreve, senhor de infinitas searas,
Que aluga ceifeiras nas breves temporadas de colheita,
Mandando-as depois de volta ao nada que sempre foram,
Ilusão de profundidade e elegia do divino.
No fundo,
Todo o poeta se escreve,
Todo o poema o encarna.
19/11/2007
5:14
Toda a lírica não mais é do que a découpage de uma alma numa página antes opaca,
Plena logo de tonalidades translúcidas,
Complacentes miragens residuais do frívolo artífice que lhes deu aparência,
Moldando-as a tinta como um escultor talha a pedra com o cinzel,
Ou simplesmente como um qualquer deus distraído,
Que tropeça na sua própria ausência deixando cair dos braços um big-bang de múltiplos quase-nadas,
Vibrações e impressão de familiaridade que nos habitam à socapa,
Na mordaz tentativa de nos converter em algo mais do que meramente humano,
Empresa demasiado auspiciosa para ser conduzida sem despiste.
Os poetas são poemas encarnados.
Todo o louco não mais é do que a soma de toda a lucidez,
Demasiado avultada para se contentar com um lugar na plateia,
Já que, afinal, verdadeiro lugar de espectador apenas ao intemporal tempo cabe,
Esse desonroso almocreve, senhor de infinitas searas,
Que aluga ceifeiras nas breves temporadas de colheita,
Mandando-as depois de volta ao nada que sempre foram,
Ilusão de profundidade e elegia do divino.
No fundo,
Todo o poeta se escreve,
Todo o poema o encarna.
19/11/2007
5:14
terça-feira, novembro 13, 2007
Grito
Dispo a minha liberdade
De vergonhas ilusórias
Abro os braços à verdade
Faço limpeza à memória
E grito baixinho
Um grito contido
Que foi por carinho
Na mente perdido
Rasgo a raiva e o medo
Solto-me de preconceitos
Liberto o estranho segredo
Desobedeço aos preceitos
E grito bem alto
Um grito escondido
E que foi de assalto
Grito adormecido
Pinto com todas as cores
Sinto com todo o meu ser
Provo todos os sabores
Transbordo sem me conter
E grito afinal
Um grito afirmado
Que foi ideal
Enfim proclamado
E grito e não cesso
Porque a voz é minha
Grito e despeço
A prisão que tinha
06/10/2004
De vergonhas ilusórias
Abro os braços à verdade
Faço limpeza à memória
E grito baixinho
Um grito contido
Que foi por carinho
Na mente perdido
Rasgo a raiva e o medo
Solto-me de preconceitos
Liberto o estranho segredo
Desobedeço aos preceitos
E grito bem alto
Um grito escondido
E que foi de assalto
Grito adormecido
Pinto com todas as cores
Sinto com todo o meu ser
Provo todos os sabores
Transbordo sem me conter
E grito afinal
Um grito afirmado
Que foi ideal
Enfim proclamado
E grito e não cesso
Porque a voz é minha
Grito e despeço
A prisão que tinha
06/10/2004
quinta-feira, outubro 25, 2007
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