Gosto de falar por enigmas
Palavras vãs de pus gangrenoso, dorido
Gosto de açoitar paradigmas
Garridos cãs de tom cavernoso, prurido
Gosto de imitar as serpentes
Com a táctica não desvendada da sede
Gosto de espalhar as sementes
Com a prática vaga encostada à parede
Gosto de migar os sentidos
Vácuos relvados de cerimónias grotescas
Gosto de sonhar sem partidos
Rara a vez tomados, parcimónias nem frescas
Gosto de aportar com piratas
Sempre frágeis embrulhos vazios, despojados
Gosto de esmagar as baratas
Reles ágeis como desafios renegados
Gosto de ensinar ao futuro
Que o vivido destrói as lamelas riscadas
Gosto de dançar com o escuro
Que encardido constrói várias águas-furtadas
Gosto de falar por enigmas
Expressões parabólicas acidentais
Gosto de enterrar paradigmas
Guarnições diabólicas que estão a mais
10/01/2008
7:53
domingo, fevereiro 03, 2008
sábado, fevereiro 02, 2008
Apostasia.
Entorno da senda dos meus passos
Gélidas ideias da vida que se encomenda…
Já fui distância que se embaraça no impasse da loucura,
Mas agora sou apenas eu,
Distante de mim, mas inabalavelmente eu.
Faço de conta que sou profeta diluviano,
E afago os dias com mãos de firmamento.
Apenas o trago roufenho de uma qualquer bebida espirituosa,
O beijo entregue ao meu delírio,
A sombra do que pudera ser se não fosse eu.
Decerto loucamente,
Prorrogo o esquecimento e a aférese do meu silêncio,
E fico suspenso no nominativo das palavras.
Procuro a abcissa do entretanto,
Nesta abiótica torrente de êxodos icásticos,
E anseio pela total apostasia do concreto.
02/02/2008
5:28
Gélidas ideias da vida que se encomenda…
Já fui distância que se embaraça no impasse da loucura,
Mas agora sou apenas eu,
Distante de mim, mas inabalavelmente eu.
Faço de conta que sou profeta diluviano,
E afago os dias com mãos de firmamento.
Apenas o trago roufenho de uma qualquer bebida espirituosa,
O beijo entregue ao meu delírio,
A sombra do que pudera ser se não fosse eu.
Decerto loucamente,
Prorrogo o esquecimento e a aférese do meu silêncio,
E fico suspenso no nominativo das palavras.
Procuro a abcissa do entretanto,
Nesta abiótica torrente de êxodos icásticos,
E anseio pela total apostasia do concreto.
02/02/2008
5:28
segunda-feira, janeiro 21, 2008
Um amor que não tem margem.
Na certeza de ser pássaro
E voar sobre o meu corpo
Há um sonho que transporto
Pela brisa em que vogo
Na pele em que me sinto
E nos olhos por que vejo
Tento ser todo esse amor
Que entrevejo a dormir
E na fala de um anjo
Que encontro sem procurar
Há um livro sempre aberto
Como um mar por descobrir
E nas asas em que voo
Com esta cumplicidade
Vou desbravando nas águas
Um amor que não tem margem
No sorriso que pressinto
Quando espreito pelo ombro
E me deparo contigo
A soprar todo esse vento
Cabelos desalinhados
Cobrindo as faces que meigas
Me transbordam e contêm
Em carinhos não contidos
05/12/2004
E voar sobre o meu corpo
Há um sonho que transporto
Pela brisa em que vogo
Na pele em que me sinto
E nos olhos por que vejo
Tento ser todo esse amor
Que entrevejo a dormir
E na fala de um anjo
Que encontro sem procurar
Há um livro sempre aberto
Como um mar por descobrir
E nas asas em que voo
Com esta cumplicidade
Vou desbravando nas águas
Um amor que não tem margem
No sorriso que pressinto
Quando espreito pelo ombro
E me deparo contigo
A soprar todo esse vento
Cabelos desalinhados
Cobrindo as faces que meigas
Me transbordam e contêm
Em carinhos não contidos
05/12/2004
quarta-feira, janeiro 16, 2008
Desabafo...
Porque às vezes as memórias são salgadas
E o lume é um botão de mágoa em flor
Se há sentenças que na vida estão marcadas
É certa a crua perda de um amor
15/01/2008
2:38
E o lume é um botão de mágoa em flor
Se há sentenças que na vida estão marcadas
É certa a crua perda de um amor
15/01/2008
2:38
segunda-feira, janeiro 14, 2008
Life hoop.
Grab a gun and blow the liver
I just wanna walk alone
Shoot her down at dawn and leave her
I’ll still buy my ice-cream cone
I just wanna walk alone
Same old tales and same old stories
Drown the soul in pools of beer
Get a hold of those fool glories
Watch out if the way is clear
Drown the soul in pools of beer
Grab the knife, I’ll kill my brains
For a glass or two of wine
I know how your door complains
When that door is really mine
I just wanna cross the line
I forget to knock and wait for
My turn in the queue
I just wish I had the time to
Listen to you
11/01/2008
19:38
I just wanna walk alone
Shoot her down at dawn and leave her
I’ll still buy my ice-cream cone
I just wanna walk alone
Same old tales and same old stories
Drown the soul in pools of beer
Get a hold of those fool glories
Watch out if the way is clear
Drown the soul in pools of beer
Grab the knife, I’ll kill my brains
For a glass or two of wine
I know how your door complains
When that door is really mine
I just wanna cross the line
I forget to knock and wait for
My turn in the queue
I just wish I had the time to
Listen to you
11/01/2008
19:38
Soneto.
Reservo-me a liberdade de ler
Constantes esdrúxulas no caminho
Hieróglifos que interpreto sozinho
Por essas madrugadas sem prazer
Decoro as expressões acabrunhadas
Perdidas como foram nos espaços
Feridas que transporto nos meus passos
Atentas aos motivos das pegadas
No turbilhão que em mim se emancipou
Florescem duradouras qualidades
Que rasgam as razões do que não sou
É então que no escuro me discorro
E elevo ao desvario das faculdades
Fragmentos que me doem do que morro
11/01/2008
6:30
Constantes esdrúxulas no caminho
Hieróglifos que interpreto sozinho
Por essas madrugadas sem prazer
Decoro as expressões acabrunhadas
Perdidas como foram nos espaços
Feridas que transporto nos meus passos
Atentas aos motivos das pegadas
No turbilhão que em mim se emancipou
Florescem duradouras qualidades
Que rasgam as razões do que não sou
É então que no escuro me discorro
E elevo ao desvario das faculdades
Fragmentos que me doem do que morro
11/01/2008
6:30
sexta-feira, dezembro 28, 2007
Palavras minhas e tuas...
As palavras que não digo,
Di-las o meu olhar franco;
São como versos em branco,
São duas mãos de um mendigo.
São palavras exclamadas
No rumor dessa presença;
São, no fundo, a recompensa
De tantas noites roubadas.
No perfil do meu desejo
Restam palavras de enleio,
E brotam brados de anseio
P'la maravilha de um beijo.
28/12/2007
22:15
Di-las o meu olhar franco;
São como versos em branco,
São duas mãos de um mendigo.
São palavras exclamadas
No rumor dessa presença;
São, no fundo, a recompensa
De tantas noites roubadas.
No perfil do meu desejo
Restam palavras de enleio,
E brotam brados de anseio
P'la maravilha de um beijo.
28/12/2007
22:15
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