Vacilante entre o sonho e a sensatez,
Dois versos de uma página sagaz,
Uma vida, como qualquer, fugaz
Alento que se patrocina à vez.
Pergunto o que se viu ao que se fez
Mergulhado em rastilhos de lilás;
Pergunto o que se vê do que se faz
E acato, do meu eu, a pequenez.
Rudimentar muralha, que erigida
À minha volta, embrenha o meu castigo,
Um soluço engasgado à despedida...
Embalo, assim, de mim para comigo
Os vôos aliterados de vida,
O sentimento amado do perigo.
11/12/2008
01:56
sábado, abril 04, 2009
segunda-feira, março 30, 2009
Marginal.
Podia dedicar-vos todos os poemas escritos,
Vislumbres de mentes pueris que se aventuram a espreitar portas infames,
Mecanismos catárticos de excelência inegável,
Frutos maduros, parras verdes,
Ou uma mera roleta russa de um espírito pululante.
Dedicar-vos a poesia do mundo seria como abençoar um pecado,
Curva fechada sobre si mesmo, espiralada
Contra o seu centro.
O contrário de muitas palavras não tem vida própria,
Mas a desenvoltura com que se contraria a natureza do corpo é quase tão enfadonha
Como a naturalidade com que se escarnece da alma.
Por tudo isto, deixo um poema marginal,
Uma salvaguarda a esse sacrílego ritual,
Uma excepção à loucura que se gatafunha nestes dias.
P.S.
A dedicatória vai em branco,
Mas que não vos apoquente:
É para ti, como para toda a gente...
11/03/2009
07:10
Vislumbres de mentes pueris que se aventuram a espreitar portas infames,
Mecanismos catárticos de excelência inegável,
Frutos maduros, parras verdes,
Ou uma mera roleta russa de um espírito pululante.
Dedicar-vos a poesia do mundo seria como abençoar um pecado,
Curva fechada sobre si mesmo, espiralada
Contra o seu centro.
O contrário de muitas palavras não tem vida própria,
Mas a desenvoltura com que se contraria a natureza do corpo é quase tão enfadonha
Como a naturalidade com que se escarnece da alma.
Por tudo isto, deixo um poema marginal,
Uma salvaguarda a esse sacrílego ritual,
Uma excepção à loucura que se gatafunha nestes dias.
P.S.
A dedicatória vai em branco,
Mas que não vos apoquente:
É para ti, como para toda a gente...
11/03/2009
07:10
domingo, março 15, 2009
Magnésia de Âmbar.
Um clarão profuso no campo de visão,
Uma atípica integridade que se arremessa contra os muros,
E lembrar-me, enevoado, de um tal sabor ou da palidez de um rosto enviesado,
A cor dos dias vista à lupa, rastreada,
Um recenseamento eficaz de toda a flacidez espasmódica ao meu redor.
Tréguas de luz no abandono do refúgio,
Contenho os olhos, as pálpebras estremecem,
Mas inundo-me, uma vez mais,
E o metrónomo precipita-se no exangue falatório do costume:
Sem que a ninguém se dirija, a todos convence;
Sem mencionar o meu nome, eis-me cativo e em fila.
Conheço quem me não negue nem tão pouco estime;
Lascas de uma madeira ainda em bruto,
Amontoada como tantas outras no armazém comunitário da Rua dos Medos,
Valores inacabados, começos interrompidos, ruptura,
Luxo moderno.
Faça-se o rio transbordar ainda mais,
Preencham-se as lacunas com as fezes dos seus subsidiários,
Lavemos o lodo das margens como o lodo que nasce do fundo,
Leito escorrido, leito vazio...
Lembro-me bem dos teus abraços.
Conheço-lhes o cheiro e a textura, tonalidades,
A sua banda sonora;
Sei o seu timing, os instantes de contacto,
As esperas, os ritmos,
Lábios que se amam, línguas que se ferem,
E um fio de lava que escorre nas veias e se entrega ao chão.
Conheço a fonte e o jusante,
E as velas de cheiro e os despertadores;
Sei-os, como tu, melhor do que ninguém...
Mas há vontades que não são nossas,
Alugadas há tanto tempo num beco pirata,
Velas desfraldadas,
Navio de conformidade.
Dispenso.
(Por agora...)
11/03/2009
06:56
Uma atípica integridade que se arremessa contra os muros,
E lembrar-me, enevoado, de um tal sabor ou da palidez de um rosto enviesado,
A cor dos dias vista à lupa, rastreada,
Um recenseamento eficaz de toda a flacidez espasmódica ao meu redor.
Tréguas de luz no abandono do refúgio,
Contenho os olhos, as pálpebras estremecem,
Mas inundo-me, uma vez mais,
E o metrónomo precipita-se no exangue falatório do costume:
Sem que a ninguém se dirija, a todos convence;
Sem mencionar o meu nome, eis-me cativo e em fila.
Conheço quem me não negue nem tão pouco estime;
Lascas de uma madeira ainda em bruto,
Amontoada como tantas outras no armazém comunitário da Rua dos Medos,
Valores inacabados, começos interrompidos, ruptura,
Luxo moderno.
Faça-se o rio transbordar ainda mais,
Preencham-se as lacunas com as fezes dos seus subsidiários,
Lavemos o lodo das margens como o lodo que nasce do fundo,
Leito escorrido, leito vazio...
Lembro-me bem dos teus abraços.
Conheço-lhes o cheiro e a textura, tonalidades,
A sua banda sonora;
Sei o seu timing, os instantes de contacto,
As esperas, os ritmos,
Lábios que se amam, línguas que se ferem,
E um fio de lava que escorre nas veias e se entrega ao chão.
Conheço a fonte e o jusante,
E as velas de cheiro e os despertadores;
Sei-os, como tu, melhor do que ninguém...
Mas há vontades que não são nossas,
Alugadas há tanto tempo num beco pirata,
Velas desfraldadas,
Navio de conformidade.
Dispenso.
(Por agora...)
11/03/2009
06:56
quinta-feira, fevereiro 12, 2009
Glosas.
Testemunhas incompletas,
De curvas oficiosas,
Tangem odes circunspectas
Nas nossas almas rochosas.
I
Interjeição que se afoita
Por capricho delicado;
Um falsete inacabado
Que na calçada pernoita;
A tempestade que açoita,
Na sinapse dos poetas,
Circunferências secretas
De contextos vanguardistas,
Compõe na voz dos fadistas
Testemunhas incompletas.
II
Véu de tecido vincado
Que encobre ternos ditongos,
Disciplinados e longos
Dedos que pintam no fado
Cores "vizinhas do lado"
Entumescidas, vaidosas,
Colinas silenciosas
De onde a melodia emana
Numa geometria plana
De curvas oficiosas.
III
Indiferente se deita,
Todo livre de embaraços,
No calor dos seus abraços
De concepção imperfeita;
Um rodízio que se enfeita
De sensações indiscretas,
Um concílio de profetas
Com insinuações voláteis
Que, nas suas prosas tácteis,
Tangem odes circunspectas.
IV
Ilimitada ternura,
Transparente à ousadia,
Alheada à cobardia,
Percorre o tempo e perdura;
Requinte, amor e frescura
Em miscelâneas jocosas
De relíquias preciosas,
Pétalas párias, apenas
Desvendam-se almas serenas
Nas nossas almas rochosas.
11/02/2009
2:30
De curvas oficiosas,
Tangem odes circunspectas
Nas nossas almas rochosas.
I
Interjeição que se afoita
Por capricho delicado;
Um falsete inacabado
Que na calçada pernoita;
A tempestade que açoita,
Na sinapse dos poetas,
Circunferências secretas
De contextos vanguardistas,
Compõe na voz dos fadistas
Testemunhas incompletas.
II
Véu de tecido vincado
Que encobre ternos ditongos,
Disciplinados e longos
Dedos que pintam no fado
Cores "vizinhas do lado"
Entumescidas, vaidosas,
Colinas silenciosas
De onde a melodia emana
Numa geometria plana
De curvas oficiosas.
III
Indiferente se deita,
Todo livre de embaraços,
No calor dos seus abraços
De concepção imperfeita;
Um rodízio que se enfeita
De sensações indiscretas,
Um concílio de profetas
Com insinuações voláteis
Que, nas suas prosas tácteis,
Tangem odes circunspectas.
IV
Ilimitada ternura,
Transparente à ousadia,
Alheada à cobardia,
Percorre o tempo e perdura;
Requinte, amor e frescura
Em miscelâneas jocosas
De relíquias preciosas,
Pétalas párias, apenas
Desvendam-se almas serenas
Nas nossas almas rochosas.
11/02/2009
2:30
quarta-feira, fevereiro 11, 2009
Ensaio.
Divagação processual, em código binário,
Renderizada sem pixelagem amorfa num volume incendiado,
E o colimador regulado para máxima difracção.
Estamos, portanto, a postos para digerir o horizonte, colapso de sedimentos,
E o cadinho precipita-se entre dois espaços ortogonais,
Rumores de uma singularidade que se extingue enquanto nasce.
As tabelas prontificam-se a dar respostas de incerteza,
E os diagramas vomitam sempre os mesmos corolários,
Mas a viagem que se experimenta a cada expressão caótica do substrato é sedutora;
Enverga no regaço um sustenido improvável,
Que galanteia o intelecto numa dança perpétua e extasiante,
Todas as danças fossem no corpo como um colóide imaterial de existencialismo,
E a superfície diferencial do nosso colectivo, desintegrada,
Ressurgiria sem nome.
Agora fotocopia este livro,
Massifica os provérbios originais num qualquer palco apoteótico,
Assola o chão de todas as vidas com a sua dúvida miriápode,
Goza de um breve rasgão no esgar envelhecido da tua estática:
Em breve, entropia e utopia serão de novo o teu tumulto,
E a queda roubar-te-á o pouco sono que te resta nas noites foragidas,
Incestuosas,
Das nossas fronteiras.
11/02/2009
20:42
Renderizada sem pixelagem amorfa num volume incendiado,
E o colimador regulado para máxima difracção.
Estamos, portanto, a postos para digerir o horizonte, colapso de sedimentos,
E o cadinho precipita-se entre dois espaços ortogonais,
Rumores de uma singularidade que se extingue enquanto nasce.
As tabelas prontificam-se a dar respostas de incerteza,
E os diagramas vomitam sempre os mesmos corolários,
Mas a viagem que se experimenta a cada expressão caótica do substrato é sedutora;
Enverga no regaço um sustenido improvável,
Que galanteia o intelecto numa dança perpétua e extasiante,
Todas as danças fossem no corpo como um colóide imaterial de existencialismo,
E a superfície diferencial do nosso colectivo, desintegrada,
Ressurgiria sem nome.
Agora fotocopia este livro,
Massifica os provérbios originais num qualquer palco apoteótico,
Assola o chão de todas as vidas com a sua dúvida miriápode,
Goza de um breve rasgão no esgar envelhecido da tua estática:
Em breve, entropia e utopia serão de novo o teu tumulto,
E a queda roubar-te-á o pouco sono que te resta nas noites foragidas,
Incestuosas,
Das nossas fronteiras.
11/02/2009
20:42
terça-feira, fevereiro 10, 2009
Plêiade.
Doem-me os olhos de tanto rir sem gargalhadas.
Parece até que os ímpios laivos de congruência
Na minha ausência de languidez comportamental
Se delineiam obliquamente numa lousa informe,
Tomando formas,
Escassez de salmos jucundos que alijem a própria consternação de me ser.
Na dor se aglomeram artificiosos bramidos,
Veleidades a que o grémio da objectividade se consente,
Urdidas em mérulas roucas deslembradas do seu tão patente crime de anacronismo.
O padecimento é, em qualquer género, inadequado,
Um maquinismo tosco que infama a cada diligência singular a compleição magistral,
Sustentáculo do real, plêiade de intenções,
Que por Todo-Poderoso designamos.
Sobeja, enfim, um vestígio de sobriedade,
Mas ministre-se o cálice transbordante do capricho,
E ei-la a dissolver-se, quase irreversível, na frívola teimosia do conforto.
10/02/2009
02:36
Parece até que os ímpios laivos de congruência
Na minha ausência de languidez comportamental
Se delineiam obliquamente numa lousa informe,
Tomando formas,
Escassez de salmos jucundos que alijem a própria consternação de me ser.
Na dor se aglomeram artificiosos bramidos,
Veleidades a que o grémio da objectividade se consente,
Urdidas em mérulas roucas deslembradas do seu tão patente crime de anacronismo.
O padecimento é, em qualquer género, inadequado,
Um maquinismo tosco que infama a cada diligência singular a compleição magistral,
Sustentáculo do real, plêiade de intenções,
Que por Todo-Poderoso designamos.
Sobeja, enfim, um vestígio de sobriedade,
Mas ministre-se o cálice transbordante do capricho,
E ei-la a dissolver-se, quase irreversível, na frívola teimosia do conforto.
10/02/2009
02:36
segunda-feira, fevereiro 09, 2009
Fractal.
Desdobro em mil o mundo que me encerra
Em palavras que rangem de cansaço;
Na minha mão semeio a nova guerra
Para colher co'a outra o novo abraço.
De cáusticas imagens me alimento
Miragens que se amontoam p'lo chão,
Que as dádivas de outrora, pelo vento
Trazidas e levadas sempre são.
Canto ao luar um fado murmurante,
Enlutado repique desse sino,
No campanário do meu ser errante,
Na dimensão fractal do meu destino.
28/01/2009
05:27
Em palavras que rangem de cansaço;
Na minha mão semeio a nova guerra
Para colher co'a outra o novo abraço.
De cáusticas imagens me alimento
Miragens que se amontoam p'lo chão,
Que as dádivas de outrora, pelo vento
Trazidas e levadas sempre são.
Canto ao luar um fado murmurante,
Enlutado repique desse sino,
No campanário do meu ser errante,
Na dimensão fractal do meu destino.
28/01/2009
05:27
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