Uma história curta
Feita muito à bruta
E sem nenhum zelo;
Um conto de fadas
Que em menos de nada
Vira um pesadelo;
As vidas à toa
De duas pessoas
Buscando sentido,
Toscas tentativas
Que as lança à deriva
P'lo tempo perdido.
Conheceram-se ontem
E, embora defrontem
Reiterados cios,
Já paixões abundam
E os dois aprofundam
Os seus desvarios,
Que a paixão é cega
Nessa cega-rega
De lençóis e lua;
Fazem às escuras
Impensadas juras
Pela noite nua.
Depois vem o dia
E o que foi magia
Perde o seu encanto;
Dúvidas assaltam
Defeitos se exaltam,
Parece quebranto...
Muita expectativa
Esgota-se lasciva
Na noite anterior...
Tanto que se espera
E afinal não era
Este o grande amor.
A fábula é clara
Quando a gente pára
P'ra pensar um pouco:
Tantas investidas,
Coisas repetidas,
São artes de um louco;
Que a solidão custa
E inovar assusta
Quem nunca tentou...
Vão às cabeçadas
Repetir, coitadas,
O erro que as tramou.
03/11/2016
15:47
sábado, novembro 05, 2016
quinta-feira, novembro 03, 2016
Quadras ao Acaso
Não conheço outra vontade,
Outro desígnio maior;
Por mais que lute ou que brade
O acaso leva a melhor.
Mereci marés de sorte,
Cruzei azares à toa;
Não há destino mais forte
Quando o acaso atraiçoa.
Do mundo não me apodero
Que o mundo nunca foi nosso:
Tudo o que posso e não quero,
Tanto que eu quero não posso.
12/06/2016
14:41
Outro desígnio maior;
Por mais que lute ou que brade
O acaso leva a melhor.
Mereci marés de sorte,
Cruzei azares à toa;
Não há destino mais forte
Quando o acaso atraiçoa.
Do mundo não me apodero
Que o mundo nunca foi nosso:
Tudo o que posso e não quero,
Tanto que eu quero não posso.
12/06/2016
14:41
quarta-feira, junho 15, 2016
Remorso
Era um dia tão cinzento
Como outros dias de Outono
E o céu chorava de mágoas;
Era o eco de um lamento
De uns olhos ao abandono
Lavados nas suas águas.
As chicotadas do vento
Mal as sentia, irrisórias
Ante os remorsos da vida;
Torturas que em pensamento
Arrastam duras memórias
De uma alma arrependida.
Desse Outono era refém
E chorava por ter feito
Tanto mal no seu passado...
Não há sol para quem tem
Nos escombros do seu peito
Um coração tão pesado.
14/06/2016
15:25
Como outros dias de Outono
E o céu chorava de mágoas;
Era o eco de um lamento
De uns olhos ao abandono
Lavados nas suas águas.
As chicotadas do vento
Mal as sentia, irrisórias
Ante os remorsos da vida;
Torturas que em pensamento
Arrastam duras memórias
De uma alma arrependida.
Desse Outono era refém
E chorava por ter feito
Tanto mal no seu passado...
Não há sol para quem tem
Nos escombros do seu peito
Um coração tão pesado.
14/06/2016
15:25
terça-feira, abril 05, 2016
Encontrei-me hoje contigo
Encontrei-me hoje contigo
Num sonho que a noite trouxe
E o acordar foi castigo...
Tomara que assim não fosse.
Conversámos cara a cara
Completamente alheados
Do abismo que te separa
Dos meus olhos acordados.
Nem sequer nos despedimos
Como se nunca acabasse
E, quando os olhos abrimos,
O sonho não se fechasse.
Em sonhos não há distância,
Não há destino nem sorte,
E é eterna a nossa infância,
E é mentira a nossa morte.
05/04/2016
14:12
Num sonho que a noite trouxe
E o acordar foi castigo...
Tomara que assim não fosse.
Conversámos cara a cara
Completamente alheados
Do abismo que te separa
Dos meus olhos acordados.
Nem sequer nos despedimos
Como se nunca acabasse
E, quando os olhos abrimos,
O sonho não se fechasse.
Em sonhos não há distância,
Não há destino nem sorte,
E é eterna a nossa infância,
E é mentira a nossa morte.
05/04/2016
14:12
Capricho.
De vez em quando dá-me uma vontade
Imensa de escrever seja o que for;
Talvez eu tenha veia de escritor
Que quando pulsa o espírio me invade.
Não é que me incomode ou desagrade,
Só nem sempre me encontro ao seu dispor,
Mas se eu tento calar esse rumor
Com mais força o seu canto persuade.
De nada serve nada do que tento
E sei que no final me vou render
Àquele irresistível chamamento,
Que agora, se me apetece escrever,
O que eu tiver em mãos nesse momento
Já não importa e fica por fazer.
05/04/2016
01:38
Imensa de escrever seja o que for;
Talvez eu tenha veia de escritor
Que quando pulsa o espírio me invade.
Não é que me incomode ou desagrade,
Só nem sempre me encontro ao seu dispor,
Mas se eu tento calar esse rumor
Com mais força o seu canto persuade.
De nada serve nada do que tento
E sei que no final me vou render
Àquele irresistível chamamento,
Que agora, se me apetece escrever,
O que eu tiver em mãos nesse momento
Já não importa e fica por fazer.
05/04/2016
01:38
sexta-feira, março 04, 2016
Todos os nomes
Todos os nomes que usamos
Padecem do mesmo mal:
Quando ao dizê-los, criamos
O que julgamos real.
Toda a exp'riência remete
Para a palavra que a exprime,
E todo o nome comete
Ao nascer o mesmo crime.
Chamam-se nomes a tudo
Quanto o ser experimenta;
São nomes o conteúdo
Do mundo que assim se inventa.
Vemos, pensamos, sentimos,
Vivemos em abundância,
E aquilo que transmitimos
São nomes sem substância.
Nome nenhum compreende
O que pretende dizer;
Não há nome que desvende
A maravilha do ser.
Todos os nomes são ocos
Por muito que teorizem,
Os nomes são sempre poucos
Para o pouco que nos dizem.
04/03/2016
02:23
Padecem do mesmo mal:
Quando ao dizê-los, criamos
O que julgamos real.
Toda a exp'riência remete
Para a palavra que a exprime,
E todo o nome comete
Ao nascer o mesmo crime.
Chamam-se nomes a tudo
Quanto o ser experimenta;
São nomes o conteúdo
Do mundo que assim se inventa.
Vemos, pensamos, sentimos,
Vivemos em abundância,
E aquilo que transmitimos
São nomes sem substância.
Nome nenhum compreende
O que pretende dizer;
Não há nome que desvende
A maravilha do ser.
Todos os nomes são ocos
Por muito que teorizem,
Os nomes são sempre poucos
Para o pouco que nos dizem.
04/03/2016
02:23
segunda-feira, fevereiro 29, 2016
Nas asas de um sonho
Descansa meu irmão, não tenhas pressa,
Não consumas os dias num só trago...
Detém-te nas delongas de um afago,
No milagre de amor que o atravessa.
P'lo meio da vertigem, o langor...
Nos ímpetos de urgir, contemplação...
Não passes pela vida de raspão,
Que a vida devagar tem mais sabor.
Devolve a paz ao ser atribulado
Se houver quem nesse estado te defronte;
Por correr não se alcança o horizonte,
Só nas asas de um sonho demorado.
24/02/2016
18:56
Não consumas os dias num só trago...
Detém-te nas delongas de um afago,
No milagre de amor que o atravessa.
P'lo meio da vertigem, o langor...
Nos ímpetos de urgir, contemplação...
Não passes pela vida de raspão,
Que a vida devagar tem mais sabor.
Devolve a paz ao ser atribulado
Se houver quem nesse estado te defronte;
Por correr não se alcança o horizonte,
Só nas asas de um sonho demorado.
24/02/2016
18:56
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