Mote
Tudo o que a vida nos dá
Tudo o que a vida nos tira
Tudo o que vida será
Tudo na vida é mentira
Glosas
A vida é só como um vento
Um breve sopro e já está
Toda a vida é um momento
Tudo o que a vida nos dá
A vida que nos derrota
A mesma que nos inspira
Tudo na vida se esgota
Tudo o que a vida nos tira
Que vida esta sem norte
Uma vida ao deus-dará
Tudo na vida é à sorte
Tudo o que a vida será
A vida é sempre querer
Uma vida a que se aspira
Toda a vida p'ra morrer
Tudo na vida é mentira
23/02/2018
00:12
quarta-feira, fevereiro 27, 2019
terça-feira, fevereiro 26, 2019
Alguéns
Alguém que quis mostrar-me paraísos
Alguém que quis mostrar-me infernais cenas
Alguém que, estando triste, me deu risos
Alguém que, sendo alegre, me deu penas
Alguém que a mão estendeu quando caí
Alguém que o pé esticou p'ra me tombar
Alguém que me abraçou quando sofri
Alguém que se escusou de me abraçar
Alguém que trouxe ao mundo algo de novo
Alguém que destruiu algo no mundo
Alguém que deu de si mesmo ao seu povo
Alguém que fez do povo um moribundo
Alguém, há sempre alguém que espalha amor
Porém, há sempre quem o não entenda
Também há quem lhe aumente o seu valor
E há quem, por mais que tente, nunca aprenda
28/07/2016
15:55
Alguém que quis mostrar-me infernais cenas
Alguém que, estando triste, me deu risos
Alguém que, sendo alegre, me deu penas
Alguém que a mão estendeu quando caí
Alguém que o pé esticou p'ra me tombar
Alguém que me abraçou quando sofri
Alguém que se escusou de me abraçar
Alguém que trouxe ao mundo algo de novo
Alguém que destruiu algo no mundo
Alguém que deu de si mesmo ao seu povo
Alguém que fez do povo um moribundo
Alguém, há sempre alguém que espalha amor
Porém, há sempre quem o não entenda
Também há quem lhe aumente o seu valor
E há quem, por mais que tente, nunca aprenda
28/07/2016
15:55
domingo, fevereiro 24, 2019
Quem quer saber ao que vem
Mote
Quem quer saber não encontra;
Quem não quer é que está bem:
Parece o mundo que é contra
Quem quer saber ao que vem.
Glosas
Quem passa a vida a olhar
O mundo como uma montra,
Vive e morre a procurar:
Quem quer saber não encontra.
Do segredo o conteúdo
É quem procura refém.
P'ra quê querer saber tudo?
Quem não quer é que está bem.
Quando algo se acha entendido
Mostra-se o mundo bilontra;
Ao mais pequeno sentido
Parece o mundo que é contra.
Como não sabe nem quer
Quem não se importa, também
Não chega nunca a saber
Quem quer saber ao que vem.
24/02/2019
14:11
Quem quer saber não encontra;
Quem não quer é que está bem:
Parece o mundo que é contra
Quem quer saber ao que vem.
Glosas
Quem passa a vida a olhar
O mundo como uma montra,
Vive e morre a procurar:
Quem quer saber não encontra.
Do segredo o conteúdo
É quem procura refém.
P'ra quê querer saber tudo?
Quem não quer é que está bem.
Quando algo se acha entendido
Mostra-se o mundo bilontra;
Ao mais pequeno sentido
Parece o mundo que é contra.
Como não sabe nem quer
Quem não se importa, também
Não chega nunca a saber
Quem quer saber ao que vem.
24/02/2019
14:11
sexta-feira, fevereiro 22, 2019
Aqui
Aqui onde me vejo
No espelho do temor
Aqui onde o desejo
Tropeça na memória
Aqui onde o feitiço
Desata a minha dor
Aqui onde me enguiço
Num limbo de oratória
Aqui onde me sinto
Mais alto e mais pequeno
Aqui onde me minto
À falta de um sentido
Aqui onde ao perdão
Me entrego e me condeno
Aqui onde este chão
É leito arrefecido
Aqui onde o adeus
Não tem cura nem lei
Aqui onde são meus
Os versos que não fiz
Aqui mato a vontade
Dos sonhos que eu errei
E morro de saudade
De quando era feliz
22/02/2019
17:53
No espelho do temor
Aqui onde o desejo
Tropeça na memória
Aqui onde o feitiço
Desata a minha dor
Aqui onde me enguiço
Num limbo de oratória
Aqui onde me sinto
Mais alto e mais pequeno
Aqui onde me minto
À falta de um sentido
Aqui onde ao perdão
Me entrego e me condeno
Aqui onde este chão
É leito arrefecido
Aqui onde o adeus
Não tem cura nem lei
Aqui onde são meus
Os versos que não fiz
Aqui mato a vontade
Dos sonhos que eu errei
E morro de saudade
De quando era feliz
22/02/2019
17:53
segunda-feira, fevereiro 18, 2019
Agora és a saudade
Foste chama crepitante
Contra o frio acutilante
Da noite dos teus sentidos
Mas quanto maior a chama
Maiores sombras derrama
Pelos caminhos perdidos
Foste o tronco da vontade
Enfrentando a tempestade
Que ora seduz ora dói
A ventania das folhas
Confunde tantas escolhas
E trai os passos do herói
Foste uma onda de vida
De horizontes desmedida
No furor das maresias
Não há onda que não caia
Nas areias dessa praia
Na margem dos nossos dias
Foste o que o mundo perdeu
Tanto mar e tanto céu
Cabiam no teu olhar
Agora és a saudade
Sem limite, sem idade
Que não tem como acabar
18/02/2019
01:39
Contra o frio acutilante
Da noite dos teus sentidos
Mas quanto maior a chama
Maiores sombras derrama
Pelos caminhos perdidos
Foste o tronco da vontade
Enfrentando a tempestade
Que ora seduz ora dói
A ventania das folhas
Confunde tantas escolhas
E trai os passos do herói
Foste uma onda de vida
De horizontes desmedida
No furor das maresias
Não há onda que não caia
Nas areias dessa praia
Na margem dos nossos dias
Foste o que o mundo perdeu
Tanto mar e tanto céu
Cabiam no teu olhar
Agora és a saudade
Sem limite, sem idade
Que não tem como acabar
18/02/2019
01:39
sábado, novembro 10, 2018
Boleia
Fica na berma encostada
À espera de uma boleia
A vida quando receia
Dobrar as curvas da estrada
O mapa que traz consigo
É uma bússola sem norte
E não garante um transporte
Que evite cada perigo
Não usa a quinta mudança
Por medo de ter um furo
Porque não tem um seguro
Nem cinto de segurança
Desde que um dia sentiu
Que derrapou na viagem
Pôs o carro na garagem
E nunca mais conduziu
Fica na berma encostada
À mercê de quem a leve
E diz que já não se atreve
Fazer-se de novo à estrada
23/11/2016
15:54
À espera de uma boleia
A vida quando receia
Dobrar as curvas da estrada
O mapa que traz consigo
É uma bússola sem norte
E não garante um transporte
Que evite cada perigo
Não usa a quinta mudança
Por medo de ter um furo
Porque não tem um seguro
Nem cinto de segurança
Desde que um dia sentiu
Que derrapou na viagem
Pôs o carro na garagem
E nunca mais conduziu
Fica na berma encostada
À mercê de quem a leve
E diz que já não se atreve
Fazer-se de novo à estrada
23/11/2016
15:54
quarta-feira, outubro 31, 2018
Deusa
És pão no meu jejum, és primavera
Que vence este meu gélido torpor;
És bálsamo que acalma a minha dor,
Que me encontra febril e regenera;
És o porto de abrigo que se espera
Ao fim de um temporal devastador;
És a reza atendida e o favor
Da deusa já esquecida de outra era;
És quem me dá a mão se estou no fundo;
És transfusão de sangue e eu moribundo;
És cálida carícia no meu pranto;
És a graça maior que me enche tanto;
És mais do que eu mereço e, no entanto,
É por ti que me adio neste mundo.
13/07/2017
Que vence este meu gélido torpor;
És bálsamo que acalma a minha dor,
Que me encontra febril e regenera;
És o porto de abrigo que se espera
Ao fim de um temporal devastador;
És a reza atendida e o favor
Da deusa já esquecida de outra era;
És quem me dá a mão se estou no fundo;
És transfusão de sangue e eu moribundo;
És cálida carícia no meu pranto;
És a graça maior que me enche tanto;
És mais do que eu mereço e, no entanto,
É por ti que me adio neste mundo.
13/07/2017
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