Acidental limalha
No avesso das quimeras;
Levo o pulso à navalha
E a música às estrelas.
Sou porto desmaiado
E coliseu das feras,
De gatilho apertado,
Não posso mais vencê-las.
Às vezes as histórias
Tropeçam sem aviso,
Debatem-se em memórias
Que invento e improviso.
E as minhas mãos sinceras
Dão pombos às migalhas,
No avesso das quimeras
Vive o Deus das mortalhas.
Gargantas enleadas
Em gravatas de dedos,
E canções derrotadas
À luz das desventuras,
No avesso das quimeras
Desvendo os meus segredos
Em compassos de espera
De frágeis partituras.
06/08/2007
21:21
quarta-feira, agosto 08, 2007
segunda-feira, agosto 06, 2007
Pára.
Sinto à flor da pele um chamamento,
Elevado rumor de prenúncios infaustos,
Chama esmorecida, aragem lúgubre...
E uma bala de reduzido calibre com que estudo a balística da existência
A galopar impaciente um carreiro longínquo,
Convencida de uma ingénua audácia enquanto não alcança o muro,
As minhas lágrimas.
Graves, retorquindo em estrondos inócuos, voam morteiros
E os canhões são mais uma vez carregados de pólvora seca.
É uma guerra já perdida, esta de saber existir.
Caem os anjos na Terra, de asas amputadas, e sorriem,
Clamando entre dentes a sua desfeita quimera de alcançar a realidade.
Sinto um chamamento, uma mão que se estende do fundo do tempo,
Os longos e esguios dedos arranhando a minha consciência
Imperturbáveis.
E o arco-íris volta a nascer no interstício da candeia de alumia o meu choro,
Com as cores desorganizadas,
As tonalidades esbatidas,
E sem o famigerado pote de ouro no cobro da sua extensão.
(Na era nuclear, as guerras não se fazem com homens,
Mas com iminências de destruição maciça.)
Alguém dispara uma flecha, como que a disparar a própria morte,
E depois pousa relutantemente o arco e dorme mais uma sesta.
Jurei que atenderia ao chamamento.
Era o mínimo que podia fazer.
Deixei que o meu santuátio fosse violado,
Entreguei a mente à desilusão,
E prostrei-me diante Deus.
"Pára."
06/08/2007
2:18
Elevado rumor de prenúncios infaustos,
Chama esmorecida, aragem lúgubre...
E uma bala de reduzido calibre com que estudo a balística da existência
A galopar impaciente um carreiro longínquo,
Convencida de uma ingénua audácia enquanto não alcança o muro,
As minhas lágrimas.
Graves, retorquindo em estrondos inócuos, voam morteiros
E os canhões são mais uma vez carregados de pólvora seca.
É uma guerra já perdida, esta de saber existir.
Caem os anjos na Terra, de asas amputadas, e sorriem,
Clamando entre dentes a sua desfeita quimera de alcançar a realidade.
Sinto um chamamento, uma mão que se estende do fundo do tempo,
Os longos e esguios dedos arranhando a minha consciência
Imperturbáveis.
E o arco-íris volta a nascer no interstício da candeia de alumia o meu choro,
Com as cores desorganizadas,
As tonalidades esbatidas,
E sem o famigerado pote de ouro no cobro da sua extensão.
(Na era nuclear, as guerras não se fazem com homens,
Mas com iminências de destruição maciça.)
Alguém dispara uma flecha, como que a disparar a própria morte,
E depois pousa relutantemente o arco e dorme mais uma sesta.
Jurei que atenderia ao chamamento.
Era o mínimo que podia fazer.
Deixei que o meu santuátio fosse violado,
Entreguei a mente à desilusão,
E prostrei-me diante Deus.
"Pára."
06/08/2007
2:18
sexta-feira, agosto 03, 2007
A (In)certeza - (ou Quantos Degraus Para o Abismo).
Faz-me falta a certeza.
Não sou o passado nem reconheço o presente,
E o futuro… a incerteza.
É frio, mas é certo.
Acabo de tropeçar no que procurava.
Como erguer-me de novo?
28/01/2006
19:55
Não sou o passado nem reconheço o presente,
E o futuro… a incerteza.
É frio, mas é certo.
Acabo de tropeçar no que procurava.
Como erguer-me de novo?
28/01/2006
19:55
segunda-feira, julho 23, 2007
quinta-feira, julho 19, 2007
Desmistificação.
Gargantas de inveja num mundo de percevejos,
Com pus e sangue a brotar de inúmeras janelas róseas
Com vista para o rio.
A cidade ficou distante dos olhares indiscretos dos transeuntes,
Que já só admiram, com disfarçada consternação,
Uma ébria moldura de caixilhos pré-fabricados.
Jogos infantis pontuam as marés entre a fome e a lascívia,
Enquanto nas horas mortas as bruxas vagueiam pela ignomínia da bruma
De uma qualquer viela desfasada da contemporaneidade.
E as safiras outrora lançadas ao desalento
Perpetuam agora,
Embelezando ostensivas tiaras de inglório ensejo.
Rápido,
Porque o momento é incerto
E tudo o que não for agora jamais será ontem.
E a não ser a minha loucura,
Todas as insanidades são poeira estelar
Neste, portanto, recanto à beira do precipício.
Somos apenas suricatas;
E possuimos garras de lume
Para perseguir a vida que não existe.
19/07/2007
4:26
Com pus e sangue a brotar de inúmeras janelas róseas
Com vista para o rio.
A cidade ficou distante dos olhares indiscretos dos transeuntes,
Que já só admiram, com disfarçada consternação,
Uma ébria moldura de caixilhos pré-fabricados.
Jogos infantis pontuam as marés entre a fome e a lascívia,
Enquanto nas horas mortas as bruxas vagueiam pela ignomínia da bruma
De uma qualquer viela desfasada da contemporaneidade.
E as safiras outrora lançadas ao desalento
Perpetuam agora,
Embelezando ostensivas tiaras de inglório ensejo.
Rápido,
Porque o momento é incerto
E tudo o que não for agora jamais será ontem.
E a não ser a minha loucura,
Todas as insanidades são poeira estelar
Neste, portanto, recanto à beira do precipício.
Somos apenas suricatas;
E possuimos garras de lume
Para perseguir a vida que não existe.
19/07/2007
4:26
quarta-feira, julho 18, 2007
Indeterminações...
Gosto de rir porque os meus dedos...
Acendo duas...
Regradas ameias em que me...
Sou tanto de mim como de...
As pálidas aguarelas que...
A minha vesícula chove.
Milhafres são as duas sombras que ontem...
A paz de espírito de saber quantas...
Abcessos tumultuosos de muitas...
As vontades vertidas no vento vago e...
Chilrear como as...
Às vezes, a mais ténue sensação de...
Mas enfim, todos os felinos despojados das minhas...
Tardes em que eu...
Cardamomo e segurelha em vez de nudez.
O que...?
18/07/2007
5:48
Acendo duas...
Regradas ameias em que me...
Sou tanto de mim como de...
As pálidas aguarelas que...
A minha vesícula chove.
Milhafres são as duas sombras que ontem...
A paz de espírito de saber quantas...
Abcessos tumultuosos de muitas...
As vontades vertidas no vento vago e...
Chilrear como as...
Às vezes, a mais ténue sensação de...
Mas enfim, todos os felinos despojados das minhas...
Tardes em que eu...
Cardamomo e segurelha em vez de nudez.
O que...?
18/07/2007
5:48
segunda-feira, julho 16, 2007
No dia anterior...
Apetece-me abraçar o diâmetro terrestre,
Fazendo dos meus dois braços anéis como os de Saturno,
E sentir desse modo o biorritmo frenético das profundezas a repicar como um carrilhão no meu peito.
(Quando, no dia anterior, após um magnífico ocaso que o céu deixou, por alguns, breves, instantes, marchetado de invulgares tonalidades, ao contemplar o último estertor luminoso, efémero despojo de um dia como tantos outros, mas apenas igual a si próprio, uma ave cuja taxonomia me era desconhecida, de penugem macia e colorida, e que soltava despreocupadamente majestosos trinados, entrou pela minha janela entreaberta, pousou sobre o meu ombro descaído, e segredou-me, num suave murmúrio, a verdadeira beleza de ser. Depois, voou.)
16/07/2007
0:43
Fazendo dos meus dois braços anéis como os de Saturno,
E sentir desse modo o biorritmo frenético das profundezas a repicar como um carrilhão no meu peito.
(Quando, no dia anterior, após um magnífico ocaso que o céu deixou, por alguns, breves, instantes, marchetado de invulgares tonalidades, ao contemplar o último estertor luminoso, efémero despojo de um dia como tantos outros, mas apenas igual a si próprio, uma ave cuja taxonomia me era desconhecida, de penugem macia e colorida, e que soltava despreocupadamente majestosos trinados, entrou pela minha janela entreaberta, pousou sobre o meu ombro descaído, e segredou-me, num suave murmúrio, a verdadeira beleza de ser. Depois, voou.)
16/07/2007
0:43
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